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Bia Gualda deixa a Secretaria de Saúde

Bia Gualda deixa a Secretaria de Saúde

Por Paulo Renato Lilli

Em meio a desabafos e lágrimas, Beatriz Amoêdo de Campos Gualda anunciou no início da tarde de ontem seu desligamento da Secretaria de Saúde, pasta que comandava desde maio. Beatriz fez o comunicado à imprensa após apresentar o pedido de exoneração ao prefeito Gustavo Stupp (PDT), pelo qual esclarece que sua decisão foi fundamentada na discordância total da forma como a gestão financeira do setor vem sendo conduzida. Até o final da tarde de ontem, a Prefeitura não havia informando o substituto.

Beatriz assumiu a secretaria em maio deste ano, em substituição a Emílio Wacked Junior, que foi exonerado. Mas, havia decidido em fevereiro que deixaria o governo no meio do ano para poder se dedicar às eleições, já que trabalharia na coordenação de campanha de candidatos em quatro municípios. Como Stupp não aceitou, decidiu, então, permanecer até o final do mandato. No entanto, lamentou não poder exercer uma gestão plena no comando da secretaria.

Segundo Beatriz, ela apontava as necessidades e as prioridades para a Secretaria de Finanças e para o prefeito, sobre onde alocar os recursos da pasta. “Mas, a ordem cronológica de pagamento é um todo e a decisão final não era minha. Uma vez por semana, eu ia até a Prefeitura para assinar os cheques que estavam prontos, mas a decisão final não era minha, essa competência nunca foi minha. Me senti impedida do exercício pleno da função”, desabafou.

Beatriz ressaltou que sempre se dedicou e respeitou o atendimento técnico à população. “Sempre fiz com esmero e me aprofundei nos vários cargos que ocupei. Sempre fiz o meu melhor, mas, aqui não conseguia fazer. Eu não estava satisfeita, porque não concordava com as decisões que vinham sendo tomadas”, frisou.

A gota d´água para Beatriz foi a quebra do acordo estabelecido pela Prefeitura com a Santa Casa, para pagamento dos repasses atrasados aos médicos plantonistas. O assunto foi abordado durante uma reunião na quinta-feira, 10, que contou com a presença de representantes do corpo clínico e da diretoria do hospital, além da própria secretaria e do promotor de Justiça, Rogério José Filócomo Junior.

Segundo ela, foi 1h40 de ‘humilhação’. “O acordo foi feito pela Secretaria de Finanças e pelo prefeito. Eu não assinei nada. Como ser cobrada por isso? Não admito ser responsabilizada sozinha. Não tenho a gestão plena. Essa situação só ratificou meu aborrecimento”, reforçou. Pelo acordo, firmado por escrito no dia 16 de setembro, a Prefeitura quitaria a dívida de quase R$ 1,6 milhão, referente aos repasses de julho e agosto – R$ 758 mil cada – para custeio do serviço de plantão de especialidades médicas, em duas parcelas. A primeira, de R$ 1 milhão, seria quitada ainda em setembro. O que foi feito. Mas, a segunda, de R$ 500 mil, que seria recolhida em outubro, não foi quitada no prazo acordado.

 

COBRANÇA

“No dia 31 de outubro, a secretária de Finanças (Elisanita Aparecida de Moraes), avisou que não pagaria. Devido à crise, não teria como cumprir o acordo. Foi muito triste, porque eu estava ausente de Mogi Mirim naquela semana. Se eu soubesse que a Prefeitura não honraria o compromisso, teria avisado ao Josué (Josué Lolli, provedor da Santa Casa), já que temos uma relação de parceria”, frisou.

Sem apresentar uma nova proposta e apenas informando a instituição que a Prefeitura creditaria R$ 158 mil no dia 4 de novembro e parcelas semanais de R$ 100 mil, a administração entrou um ofício para Beatriz comunicar o hospital na reunião da semana passada. “Como eu poderia fazer uma nova proposta se não tenho a gestão financeira. A cobrança caiu em cima de mim”, disse. Nem Elisanita, nem mesmo o prefeito Gustavo Stupp compareceram à reunião.

A dívida atual é de pouco mais de R$ 1 milhão, sendo R$ 300 mil remanescentes de setembro e o repasse integral de R$ 758 mil de outubro. Por conta do atraso, os médicos protocolaram um ofício no CRM (Conselho Regional de Medicina), informando que se não houver o pagamento integral da dívida até o dia 7 de dezembro, eles irão paralisar o atendimento.

Diante do contexto, Beatriz foi enfática: “Não me sinto mais capaz de permanecer, não tenho satisfação em permanecer, me causa aborrecimento. Não posso ser conivente com aquilo que não estou de acordo”, frisou. A agora ex-secretária já tinha decidido deixar o governo após a reunião de quinta-feira, mas, somente oficializou ontem, após conversar com Stupp. “É uma decisão irrevogável. Devolvo a gestão plena da saúde para o prefeito”, informou.

Beatriz garante que, administrativa, deixa a pasta sem arestas para aparar. “Renovamos o contrato com a Uana (Unidade de Atendimento não-Agendada) por mais três meses, restabelecemos a coleta de sangue nas UBSs (Unidade Básica de Saúde) e fizemos uma contratação de emergência do transporte de pacientes porque as duas licitações abertas foram impugnadas”, adiantou.

CURRICULO

Integrante do grupo político que trabalhou para a vitória de Gustavo Stupp nas urnas em 2012 – ela foi coordenadora jurídica da campanha eleitoral – Beatriz Gualda ocupou diversos cargos em três anos e 11 meses da gestão de Gustavo Stupp. Iniciou sua trajetória no governo na auditoria do gabinete. Depois, na primeira reforma administrativa, acumulou a gerência de captação e recursos com a auditoria interna. Na segunda reforma, assumiu a Secretaria de Captação, Gestão e Controle, ao mesmo tempo em que ainda exercia a função de auditora.

Também ocupou a presidência do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgotos) por dois meses, durante a transição de Celso Cresta para Luciano Lopes. Em 2014, foi para a Secretaria de Assistência Social, onde ficou até maio, quando se tornou secretária da Saúde.

Com Beatriz, a Secretaria de Saúde teve cinco titulares no comando. A atual gestão começou com o médico e vereador Ary Macedo respondendo pela pasta. No ano seguinte, Ary deu lugar ao vice-prefeito Gerson Rossi Junior (PPS), que ficou por quase dois anos. Em setembro do ano passado, foi vez do então secretário de governo, Jonas Alves de Araújo Filho, o Joninhas, assumir a secretaria. Joninhas permaneceu até o fim de janeiro, já que Emílio Wacked Junior passou a responder pela Saúde de Mogi Mirim a partir do dia 1º de fevereiro. Ficou até maio.

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escrito por: IM44

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