PESQUISAR 
Política
0

Gustavo Stupp encerra ‘calvário’ de 4 anos

Gustavo Stupp encerra ‘calvário’ de 4 anos

Por Paulo Henrique Tenorio

Até mesmo o mais combativo inimigo deve se lamentar por uma renovação política perdida – ou revelada – em quatro anos. Gustavo Stupp saiu de uma legislatura mais famosa pelo marketing do que pelos resultados efetivos na Câmara para assumir a Prefeitura envolto pela esperança de renovação e do sepultamento definitivo de velhas figuras da política local.

Tudo não passou de promessa. Até mesmo suas bandeiras de campanha. Stupp foi do céu ao inferno. De líder juvenil de uma nova Mogi Mirim a alguém que não deixará nenhum pingo de saudades ao deixar o comando da Prefeitura em 31 de dezembro de 2016. Em descrédito, com a imagem arranhada, a ponto até de não disputar uma reeleição, a saída de Stupp não significa apenas o fracasso do jovem prefeito, da esperança perdida nestes quatro anos.

LEIA MAIS:
O ‘cala boca’ a Carlos Nelson Bueno: a municipalização da merenda escolar

Mogi Mirim toda sofre com a derrocada de um projeto político que não foi além de boas – e talvez algumas más – intenções. Perdemos todos. Ainda que os culpados não estejam somente lotados em Mogi Mirim, já que a crise política nacional, a desestabilização da moeda e a queda acintosa de arrecadação tenham contribuído negativamente, de sobremaneira, no caixa do Município. Investimentos se tornaram nulos.

O mesmo crescimento que a cidade registrou nos oito anos do governo Carlos Nelson Bueno (2005-2012), graças também à política de investimentos de seu antecessor, o ex-prefeito Paulo Silva (1997-2004), não se repetiu agora. Faltaram a Stupp condições de oferecer oportunidades de crescimento na economia, o que tornaria possível ampliar os investimentos na saúde e na educação.

Stupp se preocupou muito em calar a opinião pública cumprindo algumas de suas promessas logo nos primeiros meses, mas pecou na falta de planejamento. Se virou em questões simples. Como, por exemplo, com a instalação de proteções metálicas no trecho da avenida Santo Antonio, onde uma família inteira morreu em fevereiro de 2012, durante uma enchente, episódio que levou Carlos Nelson a convocar a população a rezar para que uma nova tragédia não se repetisse.

No primeiro ano, Stupp também cumpriu outra bandeira de campanha. Introduziu a tarifa social de ônibus a R$ 1. É verdade que o benefício impactou em trabalhadores de baixa renda, e não em toda a população. Porém, o inchaço do quadro pessoal, agravado pela contratação a rodo de funcionários comissionados, contribuiu para a queda de “gordura” de caixa para investimentos. Ocorreram terceirizações, muitas contratações de serviços questionados, como máquinas para nivelamento e recuperação de estradas rurais, que muita gente jura de pé-junto que este serviço nunca foi oferecido à cidade.

A relação conturbada só piorou. Vieram as ações judiciais. Stupp, como presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde, contratou a empresa do então secretário de Saúde Ary Macedo. Ambos foram condenados, em segunda instância, à perda das funções políticas. Eles recorreram. Em outro caso, Stupp, o vice-prefeito e outros funcionários também tiveram bens bloqueados em outras ações. O alvo: licitações para a compra de latinhas de refrigerante e lanches com sobre preço.

Problemas com secretários foram aos montes. Dois secretários municipais, Jorge dos Santos e Gabriel Mazon Toffoli, caíram após uma empresa que prestava serviço de emissão de nota e recolhimento de impostos ter denunciado a Prefeitura de cobrar propina para a renovação de contrato. Ao mesmo tempo, o Município acusou três servidores de carreira de fazerem parte da máfia de ISS. Eles teriam sido responsável pelo desvio de R$ 30 milhões. Nunca o caso foi comprovado.

Até pedido de impeachment chegou a ser apresentado na Câmara, mas Stupp ganhou sobrevida com manobras desenvolvidas por seus aliados. A pressão só aumentou quando Stupp fez outra manobra com a Câmara com o objetivo de proporcionar parcerias público-privadas, com endereço certo para a terceirização do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgotos). Até o início deste ano, houve tentativas de concessão, mas foi graças a ações judiciais que este processo ficou interrompido.

Outras polêmicas vieram, como taxa de iluminação, internet grátis que nunca saiu do papel, greve do servidor público municipal, frequentes trocas de secretários, folgas de dias entre um feriado e o final de semana, entre tantos outros assuntos. Stupp, aos poucos, foi se isolando no poder ao passo que seus aliados foram se afastando. Contou, em grande parte, com votos da base aliada em projetos na Câmara. Boa parte da “bancada do amém” não conquistou a reeleição em outubro passado. Sintoma da imagem arranhada do legislativo municipal.

O atual governo encerra o ano melancolicamente neutralizado pelo descrédito. Stupp não é visto publicamente há meses. Não concede entrevistas. O último contato com O Impacto ocorreu no dia das eleições, em 2 de outubro. Combinava uma entrevista enquanto votava na escola Ernani Calbucci. Ele preferiu votar antes do horário previsto para não ser notado. Nunca mais o prefeito teve contato com a imprensa, a não ser por notas prontas da assessoria de comunicação.

Stupp sequer deve estar na transmissão do cargo para Carlos Nelson Bueno. O que pareceria ser o início de uma carreira promissora de um jovem político se transformou em uma grande decepção. Stupp pode até voltar a ocupar cargo eletivo em um futuro próximo, mas jamais seus desfeitos serão esquecidos nestes quatro anos de administração. Marcada, principalmente, pelo desencanto.

Compartilhar:
  • googleplus
  • linkedin
  • tumblr
  • rss
  • pinterest
  • mail

escrito por: Jornal O Impacto

tem 0 comentários

Deixe um comentário

Quer expressar sua opinião?
Deixe uma resposta!