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Para Toninho Maciel, falta valorizar mais o papel do servidor

Para Toninho Maciel, falta valorizar mais o papel do servidor

No sábado, 1º, ocorreu a transferência de cargo de presidente do Sinsep (Sindicato dos Servidores Municipais). O guarda civil municipal Luciano Mello passou a comandar a entidade, que nos últimos 12 anos foi presidida por Antonio Maciel de Oliveira, o Toninho. O ex-presidente foi responsável por transformar a entidade sindical, que de um ‘barracão’ se transformou em referência de atuação para a categoria.

Toninho fez um breve balanço de seu trabalho e enumerou algumas conquistas. Porém, não deixou de reclamar da falta de valorização da categoria. Reclamou, sobretudo, da falta de continuidade de projetos dos políticos. Confira alguns trechos da entrevista:

Como avalia esses 12 anos como presidente do sindicato?
Hoje sou um funcionário público aposentado, completando no mês de abril 37 anos de Prefeitura, que me força algumas reflexões. Principalmente a convivência com os políticos, que são passageiros. Presenciei muita coisa começar e terminar, enquanto atuei como técnico na Prefeitura. Vou dar exemplo de dentro do Departamento de Agricultura. Nós presenciamos viveiro, horta, estação de piscicultura. Eu vi o início da arborização de Mogi Mirim, na administração do (prefeito Luiz) Neto. Mogi era paupérrima em situação de árvores. Vimos tudo isso acontecer. E vimos esses projetos se definharem, por culpa dos políticos que se sucedem. O político não dá a devida importância ao que o antecessor fez. A gente percebe que as coisas vão parando no meio do caminho. A horta municipal chegou a abastecer 70% da merenda escolar produzida no município. De repente, algumas merendeiras foram reclamar ao diretor de Educação na época que estavam machucando as mãos por estarem cortando produtos in natura. E simplesmente deixaram de usar produtos daquela horta na merenda escolar. Quem perdeu com isso? O povo perde com essa mania de político de acabar com projeto de antecessor. Isso é muito ruim. Recebi ordem de prefeito para plantar árvore em buraco, em barranco, coisa que eu não cumpri. Recebi ordem de prefeito para acabar com maciço de árvore na antiga Febem, que eu não cumpri. Porque entendo que a técnica não me permitia. 37 anos mostraram que as coisas não mudaram muito. Em 84, 85, nós já estávamos num projeto sindical ainda bebê. Tínhamos a nossa Assossem (Associação dos Servidores Municipais). Nós ainda engatinhávamos no meio sindical, tínhamos uma associação que crescia. No primeiro ano do prefeito Luiz Neto, ficamos sem reajuste, e naquela oportunidade, fizemos uma manifestação em frente do gabinete. Foi a primeira manifestação do funcionalismo junto do nosso patrão.

Como foi a reação à época?
Até então não havia acontecido nada tão forte. Foi o primeiro fato. Engraçado que houve adesão de algumas pessoas com cargo de chefia. E imediatamente foram exonerados nesta manifestação.

E como nasceu o sindicato?
A ânsia de querer fazer algo pelo funcionário foi crescendo. Tive a oportunidade de estar ao lado do Quico Coser quando ganhamos a eleição na Assossem. Construímos a sede. E imediatamente fizemos todas as vontades dos funcionários, transformando a associação em sindicato, em 1992. Fiquei como presidente interino até a próxima eleição, e aí me afastei. Retornei em 2005 como presidente. O que percebemos? Que o sindicato era um barracão. Não fez papel de sindicato como prestador de serviço, intermediador, que buscava seus direitos de maneira legal, embora a nossa linha não fosse aquela do sindicalismo que surgiu lá atrás com o sindicato dos metalúrgicos. Tudo o que a gente reivindicou e criou foi em cima de leis. Mas, a partir de 2005, fizemos reformas profundas. A primeira foi a reforma da sede, que antes era um barracão sem telefone, sem computadores, energia elétrica caindo toda hora, comunicação entre funcionários terrível e serviços capenga. O atendimento médico era emprestado, porque quando assumi o sindicato em abril de 2005, em maio o prefeito na época tirou os médicos que o prefeito anterior havia emprestado ao sindicato. Tivemos a capacidade de reverter isso contratando médicos próprios. Acho que tem que ser assim, porque um sindicato pra ter liberdade não pode ficar amarrado com o patrão. Tínhamos antes 700 sócios, hoje são mais de 1.400. Dobramos o quadro associativo.

Quais foram os avanços em prol do servidor?
Posso dizer que a primeira greve oficial de um sindicato foi na administração Carlos Nelson, em 2009, por conta do não pagamento do piso nacional para as educadoras infantis. A greve foi positiva, porque elas obtiveram o piso na época – e depois concretizou-se com a sentença judicial. E acabou até rendendo pagamento de retroativo.

Como a categoria pode se fortalecer ainda mais?
O funcionário público deveria ser consciente de alguma forma. Se não temos mecanismos para fazer greve, conseguimos com união, bom-senso e critérios. É o que falta muitas vezes no serviço público. Não adianta ficar com grupos isolados, que é o que acontece.

Algum outro fato marcante?
Fizemos um trabalho muito forte para que 200 funcionários não fossem mandados embora sumariamente. Estava tudo preparado. Tivemos um embate muito difícil com a presença do Tribunal de Contas. Houve o apontamento que esses funcionários fossem dispensados, porque estes foram contratados quando existiam exames de seleção e não concurso público. Por isso houve o apontamento do Tribunal de Contas. Foi um embate muito difícil, mas conseguimos derrubar essa tese. É um trabalho que houve presença de espírito, houve técnica envolvida, busca de julgados, de sentenças, enfim, conseguimos montar um trabalho e derrubar essa tese.

A criação da OPS (Organização Pró-Servidor) foi um avanço?
Isso nos permitiu trabalhar não só o associado, mas a família. Desenvolvemos projetos importantes, como curso de inglês para filho de funcionários, curso de computação. Criamos um curso de formação profissional, que permitiu a inclusão destas crianças no mercado de trabalho. Foram trabalhos importantes. Houve desenvolvimento de programas sociais, como o auxílio-mútuo para pagamento de algumas contas essenciais. Teve até casos de água cortada em casa de servidor. A gente paga e restitui isso para o fundo em até 10 parcelas, descontado em folha. Todo esse trabalho é importante, porque queremos deixar o sindicato mais livre para trabalhar a relação patrão e empregado. Isso permitiu cobrar uma ação de férias indevida. Em média, deu uma poupança de R$ 12 mil por servidor. Teve gente que recebeu mais de R$ 50 mil. Então, para a gente foi importante. Aliviou um fardo social.

O que esperar da relação administração municipal e sindicato após a sua saída?
Que mude as mentalidades. Sou fã do político administrador, que consegue falar não, porque aí eu sei que ele deixou de contabilizar um voto. Infelizmente, o não, na maioria das vezes, é para o funcionalismo público. O funcionário público não é a menina dos olhos e deveria ser. Primeira coisa tem que acertar a casa. Não adianta fazer qualquer coisa na cidade se não estiver de bem com a sua própria equipe.

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escrito por: Jornal O Impacto

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